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Pescadores relatam prejuízos devido plantas aquáticas

Postado dia 11/09/2020

Pescadores relatam prejuízos devido plantas aquáticas

Espécies que vêm dificultando a pesca e causando transtornos podem estar ligadas à grande carga de esgotos jogadas sem tratamento nos corpos de água. Pesca reduziu em 70% devido ao problema

Pescadores do município de Iraí têm reclamado da presença de plantas no rio Uruguai, que eles identificam como algas. Essa situação, segundo os pescadores, está prejudicando a pesca, mas a incidência não é comum e teriam começado a aparecer há cerca de dois meses.

De acordo com o pescador e presidente da Colônia de Pescadores Z-22, Luis Carlos Corrêa Amaro, a presença das algas acaba afastando os peixes e causando prejuízos com perda ou danos nos equipamentos de pesca. “Já perdi quatro redes em razão dessas algas, além do prejuízo na redução de peixes que essas plantas vêm causando. Comparado a antes do aparecimento dessas algas, a presença de peixes reduziu em mais de 70%”, cita o pescador.

Segundo o relato de Amaro, as plantas formam uma espécie de limo quando o rio está baixo e aumentam conforme a vazão sobe. A suspeita de Amaro e dos demais pescadores é de que o surgimento das plantas tenha alguma ligação com a Usina Foz do Chapecó.

 

Usina cita que não tem relação com o aparecimento das algas

Por outro lado, conforme a assessoria de comunicação da Usina Foz do Chapecó, a barragem não possui relação com o aparecimento das plantas no rio. “Não temos registro de macrófita (algas) no reservatório. A operação da usina não gera macrófitas e nem faz elas se proliferarem. Então, essas plantas devem ter encontrado ambiente favorável abaixo da usina. O que faz elas se reproduzirem é a matéria orgânica e onde tem muita matéria orgânica é no esgoto doméstico”, cita a nota divulgada pela assessoria da empresa.

 

Plantas de duas espécies foram identificadas

 

Para tentar identificar a origem das plantas e o que está fazendo elas permanecerem no rio, amostras das chamadas algas pelos pescadores foram encaminhadas para o curso de Biologia da URI/FW. Conforme o professor Marcelo Carvalho da Rocha, nas águas do rio Uruguai foram encontradas duas espécies de plantas, a eichhornia crassipes, popularmente conhecida como aguapé, e a pistia stratiotes, também conhecida como alface d´água.

– Ambas são classificadas como macrófitas aquáticas livre-flutuantes e assim podem deslocar-se pela superfície da água. São nativas da América do Sul, e geralmente presentes na maioria dos ecossistemas aquáticos continentais, sendo que suas ocorrências podem se dar por eventos naturais, acidentais ou intencionais, e quando se prolifera de forma descontrolada têm causado preocupação a classe pesqueira e aos órgãos ambientais – expõe o professor.

O profissional ainda cita que em ecossistemas onde não há corrente de água, as plantas podem auxiliar no metabolismo, melhorando os processos naturais, como, por exemplo, a retenção de nutrientes e poluentes. Já em ambientes de água corrente, como rios, as plantas podem causar impactos econômicos, “sobretudo nos reservatórios, como acúmulo de rejeitos e sedimentos, dificuldades na navegação, abrigar vetores de doenças especialmente mosquitos, além de prejuízos nas atividades pesqueiras e de turismo”, complementa Rocha.

 

 

 

Com informações e foto de O Alto Uruguai

Martinho
Francisco.

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